segunda-feira, abril 28, 2008

Civilização, barbárie e relativismo: conteste seu professor petralha! - Por Reinaldo Azevedo

Sempre que se apontam os crimes da esquerda, passados e presentes, lá vêm os neo-relativistas (que nada têm de “neo”, uma vez que defendem algo bem antigo) com a sua ladainha:
- “E o que dizer da história da Igreja Católica?
- “E o que dizer do capitalismo?
- “E o que dizer da colonização da América” (como sabem, um neo-relativista pensa que é índio)?

Nas universidades brasileiras, jovens são verdadeiramente molestados por esse tipo de abordagem de seus professores petralhas. Os estudantes pressentem que o vagabundo está disposto a justificar os crimes da esquerda, mas, muitas vezes, por falta de experiência política, falta-lhes uma boa resposta. Afinal, estão lidando com especialistas em farsa. Vamos enfrentá-los.

Peguemos o caso da Igreja. Sua história sempre foi meritória? Ah, evidentemente não. O papa Bento 16 é o primeiro, em ordem de importância na fé que professa, a reconhecê-lo. A trajetória do capitalismo também não é uma coleção só de virtudes. Mas esperem: com que olhos se quer ver o passado? À luz do que sabemos hoje ou do que se sabia então? E os jesuítas? Só fizeram um bem à América? Quem está perguntando? Um herdeiro dos tupis ou um da cultura ocidental? No segundo caso, a resposta é “sim”.

Recomendo, com entusiasmo, que vocês comprem ou aluguem a série Roma, uma formidável reconstituição de época. Ganhei de presente todos os DVDs e os vi com grande interesse. Não chegam a ser uma alternativa a Edward Gibbon ou a Suetônio, mas contribuem para educar a percepção: vê-se a história segundo o seu tempo, não com os olhos judiciosos de quem emprega critérios contemporâneos para analisar o passado.

No caso dos jesuítas, então, o debate pode ser ainda mais interessante. É farta a bibliografia demonstrando que o alcance humanista (mesmo para a época) de sua pregação era superior àquele da colonização em sua dimensão puramente econômica. Basta ler Padre Vieira. Ainda assim, que se observe: ver um senhor do engenho do século 17 com os mesmos olhos de censura com que, justamente, vemos hoje um explorador de trabalho escravo não é humanismo, mas estupidez.

Voltemos à esquerda. Dá para perdoar o comunismo trazendo para a arena do debate outras experiências históricas, de sorte que ou condenamos tudo ou absolvemos tudo? Fosse eu um comunista, recomendaria que não se fizesse isso. Porque aí seria pior. Para um comunista, melhor é ficar com Lênin, um imoralista muito pouco preocupado com o que a humanidade havia produzido na cultura até então. Melhor ser um intelectual bárbaro do que idiota.

A esquerda intelectual privatiza as palavras. É o caso de “reacionário”, sinônimo de tudo o que há de ruim, atrasado, passadista. A “direita” seria, assim, “reacionária”. Eu não ligo que me chamem de reacionário. Mas sei que não sou. Se olho a trajetória da história humana, entendo que seu aspecto mais virtuoso é a liberdade individual. Não é por acaso que a pedra de toque das democracias é o “habeas corpus”, o “seja dono do teu corpo”. Ele é o reconhecimento, no terreno jurídico, da existência do indivíduo. Observem: quando se instala uma ditadura, qual é a primeira providência dos gorilas? Justamente a suspensão do habeas corpus, que nunca valeu nos países comunistas. Afinal, o corpo individual não existe; só o do estado.

Por que o comunismo é nefasto, entre tantos outros defeitos? Porque despreza, ignora ou esmaga as conquistas da civilização. Ele, sim, é genuinamente reacionário. Faz a história humana caminhar para trás. Pegue-se o caso da União Soviética. Em três décadas de consolidação do socialismo, matou-se mais gente do que o que se conhecia da sangrenta história russa (para ficar na república mais importante) até ali. E por quê? Para se construir qual homem?

Para se construir homem nenhum, uma vez que o indivíduo não existia. O jesuitismo, acreditem, era um avanço no seu tempo: incorporava o humanismo judaico-cristão, uma novidade para os povos que viviam sob o ditadura da natureza. E certamente colaborou para algumas tantas injustiças. Mas era “progressista”. Trata-se de uma visão canhestra, pobremente marxista, supor que ele era apenas a superestrutura ideológica da colonização. Não era. Os jesuítas foram até o limite do que a cultura cristã havia produzido até ali, inclusive opondo-se à escravidão — até o limite, claro, do que permitia o estado. Quando ultrapassaram esse limite, foram expulsos do Brasil.

A pergunta que vocês têm de fazer aos entusiastas da esquerda, aos amantes do relativismo, a seus professores esquerdopatas e a eventuais fãs da União Soviética é a que segue: o que foi que os comunistas fizeram do estoque que já conhecíamos de liberdades públicas, de liberdades individuas, de tolerância, de convivência com a diferença? Eu respondo: eles o massacraram; preferiram o totalitarismo, pressuposto da “ditadura do proletariado”. Nesse particular (e em muitos outros), não se distingue no nazifascismo.

Cretinos me escrevem, por exemplo, afirmando que Edir Macedo nada mais faz do que repetir o que a Igreja Católica fez no passado. Trata-se de mentira, de ignorância histórica, de falta de leitura. Mas nem vou me dedicar a isso agora. Prefiro fazer uma pergunta: ainda que fosse verdade, caberia reeditar supostas práticas superadas há séculos?

A verdade insofismável é que REACIONÁRIA é a esquerda. Em nome de um suposto futuro, ela despreza a maior de todas as conquistas do homem: a liberdade de consciência. Observem que esta história de que, no fundo, tudo é a mesma coisa nunca serve para elogiar a democracia e sempre é útil para fazer a apologia do comunismo, das esquerdas e do crime em nome de uma causa.

A tese, em suma, de que o crime é uma constante na história humana nunca serve aos inocentes e sempre busca aliviar as costas dos culpados. O comunismo jogou no lixo cinco séculos de cultura humanista e, ainda hoje, se manifesta em metástases. Pauta a ignorância engajada no Capão Redondo e nas redações. Prometeu uma nova civilização. Como deu com os burros n’água, contenta-se em glorificar a barbárie. Quem diria! Um relativista é sempre um absolutista: do crime!

domingo, março 30, 2008


Monstros

Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 28 de fevereiro de 2008


Para os comunistas e seus bajuladores, a morte de uns 400 terroristas, durante o regime militar brasileiro, foi algo de incomparavelmente mais grave, mais revoltante, mais intolerável do que a matança de 75 milhões de civis chineses pela ditadura de Mao Dzedong, de 20 milhões de russos pelo governo soviético ou de 3 milhões de cambojanos pela quadrilha de Pol-Pot. Claro, os comunistas são diferentes de nós. Segundo Che Guevara, são "o primeiro escalão da espécie humana". Se você mata um deles, mesmo em defesa própria, é crime hediondo. Se ele mata 100 mil de nós, desarmados e amarrados, torna-se um herói, que é como o senhor Mino Carta define Fidel Castro.

Protestando contra a comparação quantitativa entre a ditadura brasileira e a cubana, que o colunista Reinaldo Azevedo faz na última Veja, Gerald Thomas vocifera seu sacrossanto horror à contagem de cadáveres e em seguida se põe a contá-los por sua vez, acusando os militares brasileiros pela "perda da vida de milhares, digo, milhares de vidas inocentes". Primeiro, não eram inocentes: eram guerrilheiros armados, que só começaram a morrer depois de estourar com bombas dezenas de civis (estes sim, inocentes). Segundo: não foram milhares, foram quatro centenas na mais hiperbólica das hipóteses, jamais submetida a revisão crítica. Para Gerald Thomas, números são um expediente retórico desonesto quando verdadeiros: só os falsos são argumentos honrados.

Sinceramente, já estou velho demais para continuar fingindo que indivíduos capazes de julgar seus semelhantes com um critério tão desproporcional, tão disforme, tão manifestamente iníquo, sejam pessoas normais e decentes com quem eu não tenha senão divergências filosóficas. Esses sujeitos são doentes, são sociopatas perigosos, incapazes de olhar para os discordantes sem antever, com sádica alegria, o cadáver do "inimigo de classe" girando no espeto como um frango no forno da História.

Eis alguns - só alguns - dos objetivos proclamados abertamente pelos líderes e mentores comunistas:

1. Karl Marx: extermínio de classes sociais inteiras e de uns quantos "povos inferiores" (sic).

2. V. I. Lênin: terrorismo sistemático como fórmula de governo.

3. Leon Trotsky: militarização completa do trabalho industrial e agrícola. Supressão da liberdade de escolher emprego.

4. Stálin: "Morte aos pequenos proprietários rurais. Ódio e desprezo aos que os defendem" (sic).

5. Che Guevara: Treinar os militantes para que se tornem "eficientes e frias máquinas de matar" (sic).

Notem bem: não são crueldades impremeditadas, sobrevindas no calor da batalha. São intenções declaradas.

Como é possível que alguém em seu juízo perfeito considere o comunismo um belo ideal humanitário, que um acaso infeliz desviou de seus altos propósitos?

Foi só por um desejo insano de enganar-se retroativamente a si próprios que muitos comunistas, depois da morte de Stálin, começaram a espremer seus cérebros para explicar como o regime dos seus sonhos pudera "degenerar" em tanta violência e maldade. Não era degenerescência: era a execução racional e bem sucedida de planos traçados com muita antecedência - desde Marx - e levados à prática com a frieza metódica de uma obra de engenharia.

Fidel Castro, Guevara, Pol-Pot, Lênin, Stálin, Trótski, Marx - quem quer que escreva uma só palavra em favor desses monstros é seu semelhante, distinguindo-se deles em tamanho apenas, não em qualidade. Ainda que por covardia ou falta de ocasião não venha a realizar pessoalmente seus desígnios macabros, não esconde sua admiração por quem os realiza. E depois ainda se faz de horrorizado ante quem cometeu crimes incomparavelmente menores, se é que é crime apelar à violência para deter um genocídio anunciado e já em fase avançada de execução.

Tesxo extraído do site:
www.olavodecarvalho.org

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

O futuro da direita

Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 21 de fevereiro de 2008

A Playboy deste mês publica uma entrevista reveladora com alguns líderes emergentes do chamado “liberalismo” brasileiro, filhos de velhos caciques regionais falecidos, aposentados ou desativados. Reveladora, digo eu, porque ilustra com clareza didática algumas obviedades que tenho publicado nesta coluna, mas que os bem-pensantes insistem em não querer admitir, como outrora se recusavam a admitir a existência do Foro de São Paulo.

A mais flagrante delas é que não existe direita politicamente relevante no Brasil. Os entrevistados não só rejeitam a denominação de direitistas – o que já é bastante significativo, tendo em vista o orgulho com que os esquerdistas se assumem como tais --, mas subscrevem no fim das contas todo o programa sociocultural da esquerda, com a única diferença de que desejariam realizá-lo pelo livre mercado em vez da ação estatal direta.

Que isso constitua mesmo uma diferença, é altamente duvidoso. Do ponto de vista econômico, a disputa entre liberais e socialistas no mundo vai-se tornando cada vez mais adjetiva: nenhum político é louco o bastante para advogar em público a supressão do Estado previdenciário, nem idiota o suficiente para continuar acreditando na eliminação total da propriedade privada. A guerra entre os sistemas tornou-se uma tênue oscilação para lá e para cá de um confortável meio-termo. A direita quer o capitalismo sob a proteção do governo-babá, a esquerda quer o socialismo vitaminado pela força do livre mercado. É a tese de Paul Edward Gottfried em After Liberalism : Mass Democracy in the Managerial State (Princeton University Press, 2001): junto com o socialismo real morreu também o liberalismo ideal. A vitória da “revolução dos gerentes” matou os dois, inaugurando a era da democracia de massas, o que é o mesmo que dizer: o império universal da burocracia.

Com isso, o foco da disputa efetiva transferiu-se para um domínio mais sutil -- e infinitamente mais decisivo para o futuro da humanidade: o sonho do espírito revolucionário já não é o controle estatal da economia, mas o controle estatal da vida privada, da mentalidade popular, dos usos e costumes, da imaginação e dos sentimentos. É promover a ruptura total com as tradições históricas e operar enfim a longamente ambicionada mutação radical da natureza humana. Décadas atrás os melhores cérebros da esquerda – Lukács, Gramsci, os frankfurtianos – já haviam concluído que nesse campo, e não na economia, seria travada a batalha decisiva. Mas a idéia era prematura quando a lançaram. O advento da “democracia de massas” vem dar-lhe uma atualidade explosiva, preparando o terreno para a revolução cultural globalizada.

No novo contexto, o dever máximo ou único de uma direita historicamente consciente é defender os princípios e valores civilizacionais milenares, resistindo à ambição insana de planejadores sociais para os quais a espécie humana não passa de matéria-prima para experimentos que variam entre o irresponsável e o macabro.

Mas muito provavelmente essa resistência será em breve criminalizada como extremismo de direita, e, se não lutar como um exército de leões, desaparecerá do cenário político decente. Só sobrará lugar para a “direita bossa nova”, como a chama a Playboy – a direita que cede tudo em troca de um pouco de capitalismo.

A economia de mercado deve, sim, ser defendida, porque só nela os princípios e valores hoje ameaçados podem subsistir. Mas abdicar deles em troca da economia de mercado pura e simples, fazendo dela a única finalidade em vez de um meio entre outros, é servir duplamente ao esquerdismo, entregando-lhe de mão-beijada o que ele mais almeja conquistar e ainda criando uma camuflagem “capitalista” para dar aparência inofensiva à mais temível mutação revolucionária de todos os tempos.



Extraído do site: www.olavodecarvalho.org


segunda-feira, outubro 15, 2007

Olavo de Carvalho

Votando no capitão
Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 11 de outubro de 2007

Quem quer que tenha acompanhado as minhas aulas sobre a “teoria dos quatro discursos” – e, graças à internet, é um bocado de gente, a esta altura – sabe que uma das principais dificuldades na arte da palavra é a mudança de clave do discurso poético para o retórico. Ninguém faz isso direito, porque a primeira das duas modalidades está focalizada na exteriorização de percepções íntimas, a segunda no manejo deliberado das reações do ouvinte ou leitor. Expressão é uma coisa, persuasão é outra. Nos dois casos, trata-se de criar uma verossimilhança, mas a verossimilhança poética é pura coerência entre imagens, a retórica um acordo bem dosado entre o que você quer dizer e o que o público quer ouvir. Por isso o discurso poético se dirige a um auditório geral e indefinido, abrindo-se à multiplicidade imprevisível das interpretações que lhe dêem, ao passo que o retórico se dirige a uma platéia em particular, permanecendo ineficaz sobre as demais, exceto se ouvido como mera produção poética, desligada dos fins práticos a que visava originalmente.
Daí o fenômeno, tão repetidamente comprovado, de que o artista narrador, seja no romance, no teatro ou no cinema, não tenha controle quase nenhum sobre o sentido político-ideológico da história que narra, o qual sentido não depende da narrativa em si, mas dos fatos do mundo exterior – remotos e fora do alcance do artista -- a que a platéia associe os episódios narrados, fazendo destes o símbolo daqueles.
Gênios do porte de um Stendhal ou de um Balzac não venceram essa dificuldade – por que deveríamos exigi-lo dos nossos miúdos cineastas tupiniquins? Todos eles são mais comunistas que a peste, mas isso não impediu que em “Central do Brasil” o menino perdido, fugindo do inferno urbano, encontrasse no Brasil rural os antigos valores que são a essência mesma do conservadorismo: a família, a religião, a segurança, o amor ao próximo. Nem que “Cidade de Deus” resultasse numa apologia do que pode haver de mais reacionário e pequeno-burguês: subir na vida por meio do trabalho honesto.
Agora, José Padilha é crucificado pela esquerda porque em “Tropa de Elite”, pela primeira vez, o cinema nacional mostra a violência carioca pelo ponto de vista da polícia, que é o dos cidadãos comuns, e não pelo dos bandidos, que é o da classe artística, dos “formadores de opinião” e do beautiful people esquerdista em geral. Padilha não fez isso porque queria, mas porque, tendo optado por uma narrativa realista, teve de ceder à coerência interna entre os vários elementos factuais em jogo, mostrando as coisas como elas aparecem aos olhos de qualquer pessoa que esteja boa da cabeça e não tenha se intoxicado nem de cocaína nem de Michel Foucault, como o fazem aqueles três grupos de criaturas maravilhosas. O resultado é que no seu filme os traficantes são assassinos sanguinários, os policiais corruptos são policiais corruptos, os policiais bons são homens honestos à beira de um ataque de nervos, os estudantes esquerdistas metidos a salvadores do país são clientes que alimentam o narcotráfico e mantêm o país na m.... Todo mundo sabe que a vida é assim, e é por isso que instintivamente todo mundo acha que descer a mão em bandidos, por ilegal que seja, é incomparavelmente menos grave do que o imenso concurso de crimes – guerrilha urbana, homicídios, seqüestros, assaltos, contrabando, corrupção política – que o narcotráfico traz consigo. Daí que, entre as razões do policial idôneo e as da bandidagem – que são as mesmas da esquerda iluminada --, o povo já tenha feito sua escolha: Capitão Nascimento para presidente.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Janer Cristaldo I

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

DOIS QUARTOS PREOCUPANTES






O primeiro é do Reino Unido. Segundo as notícias, um quarto de todos os bebês do Reino Unido tem um pai estrangeiro. No ano passado ocorreram 735 mil nascimentos do país, contra 663 mil quatro anos antes. Em 2001, a percentagem de pais estrangeiros era de 20%. Hoje é de 25%. Segundo um porta-voz do United Kingdom Office for National Statistics, isto reflete o efeito cumulativo da imigração nos últimos 40 anos e todas as evidências são de que estas cifras persistam.



O problema não é exatamente que um quarto dos bebês tenha pais estrangeiros. O problema é que boa parte deste quarto tem pais muçulmanos. Há alguns meses, o mesmo organismo de estatísticas noticiava que o segundo nome mais popular entre os meninos nascidos na Inglaterra é Muhamad. Jack ainda está em primeiro lugar, mas isso não deve durar muito. O nome Aisha ocupa a 110ª posição entre os nomes mais populares para meninas. Os pais britânicos que batizaram seus filhos de Moahamed são em geral originários de Bangladesh, Índia, Paquistão e de países árabes. O nome muçulmano para os filhos é uma tentativa de reforçar os laços com a religião de origem.



Quando deixará o Reino Unido de ser majoritariamente britânico? O recenseamento de 2001 revelou que as famílias inglesas muçulmanas totalizam de 1,6 milhões de pessoas, ou seja, 8% do total da população. A taxa de natalidade dos britânicos é de 12,3 nascimentos por 1.000 habitantes. Entre os muçulmanos cresceu 12% nos últimos sete anos. Depois da França e da Alemanha, a comunidade muçulmana no Reino Unido é a terceira em tamanho na Europa. Analistas já aventam a hipótese de o Reino Unido tornar-se um país muçulmano. Até aí, problema dos britânicos. Para nós, o mais preocupante é o segundo quarto. O nosso.



Os jornais de hoje noticiam que o programa Bolsa Família atende quase um em cada quatro brasileiros, segundo estudo divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Social. De setembro de 2005 a março de 2007, o número de famílias atendidas cresceu 46,05%, passando de 7,6 milhões para 11,1 milhões. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o número de brasileiros beneficiados pelo programa - isto é, aquela gente toda que não trabalha e fica à espera da esmola estatal a cada fim de mês - hoje chega a 45, 8 milhões de habitantes.



Em outras palavras, o Brasil que trabalha está levando nas costas, em números aproximados,



- dois terços da França

- uma África do Sul

- quase toda uma Espanha

- duas Coréias do Norte

- quase três Chiles

- quatro Cubas

- mais de quatro Grécias ou Bélgicas

- cinco Suécias

- 7,5 Israéis

- nove Finlândias

- treze Uruguais


- Enviado por Janer @ 5:26 PM

Janer Cristaldo



MEUS PRAZERES PERVERSOS


Ouvir besteiras de figuras ilustres é um de meus prazeres perversos. Sei lá por quê, mas me diverte. Ontem, o Supremo Apedeuta me proporcionou mais um desses prazeres, ao defender o Bolsa-Família. "Tem gente que critica o Bolsa-Família como um programa assistencialista, porque a gente está dando o direito de os mais pobres comerem. Agora, essas mesmas pessoas não criticam uma bolsa de US$ 2 mil que a gente paga para um doutor se formar no exterior. Não podemos aceitar o preconceito contra a bolsa que a gente dá para as famílias mais pobres comerem o feijão que precisam comer".

Para começar, Lula assume como sendo obra sua o tal de Bolsa-Família. Em verdade, é a unificação de programas assistencialistas anteriores do governo Fernando Henrique, como o Bolsa-Escola, Vale-Gás, Bolsa-Alimentação. Em sua insciência, o Apedeuta quer agora comparar esmolas de fundo eleitoreiro com especialização no Exterior. O Bolsa-Família é esmola sem contrapartida. A formação de doutores no Exterior é sinônimo de importação de ciência, tecnologia, know-how. Há um retorno, um ganho em capital humano para o país. O único retorno do Bolsa-Esmola é o voto nas próximas eleições.

Bem entendido, há doutorados completamente inúteis, que só servem para desmoralizar o programa de bolsas no Exterior. São as bolsas concedidas a acadêmicos que vão estudar a obra de Machado de Assis ou Nelson Rodrigues em Paris ou Londres, que pretendem analisar o uso do pronome relativo na poesia de Fernando Pessoa ou os elementos cabalísticos na ficção de Guimarães Rosa. Isto, de fato, é dinheiro jogado no lixo. Sem falar nos doutorandos que passam quatro cinco anos no Exterior chuchando nas tetas do Estado e voltam de mãos vazias. Confesso nunca ter visto em minha vida qualquer punição imposta a esses universitários. Não falo em cadeia, afinal não mataram ninguém. Mas pelo menos perda do emprego e devolução do recebido. Denunciasse o Supremo Apedeuta esta corrupção universitária, eu - que o abomino - seria o primeiro a cumprimentá-lo.

Mas não. O analfabeto estabelece um paralelo esdrúxulo, algo como comparar laranjas com triângulos isósceles. Infeliz do país de Terceiro Mundo que não envia seus universitários aos grandes centros de formação. Mas isto está longe do alcance de um bruto que se gaba de ser monoglota e inculto. O pior é constatar que este bruto conta com a adesão da maioria da nação. O Brasil elegeu e reelegeu Lula? Se isto antes me indignava, hoje não me indigna mais. Estou inclusive espiritualmente preparado para um terceiro mandato. O Brasil votou nele? Então o merece. Triste é ver a parte sadia da nação ter de viver este carma. -


Enviado por Janer @ 12:34 PM



Extraído do blog de Janer Cristaldo
www.cristaldo.blogspot.com

terça-feira, agosto 07, 2007

Do orgulho


Orgulho s.m. 1. Alto conceito de sí mesmo; soberba. 2. Ufania; satisfação; desvanecimento . (minidicionário Luf)

Orgulho
BRANCO?
Orgulho
NEGRO?
Orgulho Macho?

Orgulho
GAY?
Orgulho de que?


Sou d’um tempo em que, para um homem honrado, ser chamado de orgulhoso era motivo de vergonha.

terça-feira, maio 15, 2007


Quando o Papa João Paulo II veio ao Brasil pela primeira vez,
nós estávamos em transito do regime militar para a democracia.
O presidente era João Batista de Oliveira Figueiredo.
O Papa perguntou ao Presidente o motivo de ter tantos ministros,
ao que obteve como resposta:
-"Santidade, Jesus não tinha 12 apóstolos?
Eu tenho 12 ministros".

Em 2007, quando o Papa Bento XVI chegou ao Brasil,
perguntou ao Lula: Para quê 34 ministros?
O molusco, respondeu:-
"Veija bem compãnhero Çantidade......
Ali Babá num tinha 40 ladrãos?
Tô quase...

segunda-feira, maio 14, 2007

O desepero da piedade



Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde

E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...

Mas tende piedade também dos que andam de automóvel

Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.


Tende piedade das pequenas famílias suburbanas

E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos

Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam

E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina


Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta

Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina

Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte

E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.


Tende imensa piedade dos músicos de cafés e de casas de chá

Que são virtuoses da própria tristeza e solidão

Mas tende piedade também dos que buscam o silêncio

E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.


Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram

E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução

Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram

E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.


Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos

Quem em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão

E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão

Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão...


Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros

Que se efeminam por profissão mas são humildes nas suas carícias

Mas tende maior piedade ainda dos que cortam o cabelo:

Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!


Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria

Que lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos

Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo

Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.


Tende piedade dos homens úteis como os dentistas

Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer

Mas tente mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia

Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.


Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos

Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão

Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes

Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.


E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tenha piedade das mulheres

Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres

Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres

Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!


Tende piedade da moça feia que serve na vida

De casa, comida e roupa lavada da moça bonita

Mas tende mais piedade ainda da moça bonita

Que o homem molesta — que o homem não presta, não presta, meu Deus!


Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais

Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação

E sonham exaltadas nos quartos humildesOs olhos perdidos e o seio na mão.


Tende piedade da mulher no primeiro coito

Onde se cria a primeira alegria da Criação

E onde se consuma a tragédia dos anjos

E onde a morte encontra a vida em desintegração.


Tende piedade da mulher no instante do parto

Onde ela é como a água explodindo em convulsão

Onde ela é como a terra vomitando cólera

Onde ela é como a lua parindo desilusão.


Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas

Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade

Mas tende piedade também das mulheres casadas

Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.


Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas

Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas

Mas que vendem barato muito instante de esquecimento

E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.


Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas

De corpo hermético e coração patético

Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçadas

Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.


Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres

Que ninguém mais merece tanto amor e amizade

Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade

Que ninguém mais precisa tanto alegria e serenidade.


Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras

Que são crianças e são trágicas e são belas

Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam

E que têm a única emoção da vida nelas.


Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse

Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade

E outra, à simples emoção do amor piedoso

Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.


Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas

A vida fere mais fundo e mais fecundo

E o sexo está nelas, e o mundo está nelas

E a loucura reside nesse mundo.


Tende piedade, Senhor, das santas mulheres

Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim

Piedoso com todos, que tudo merece piedade

E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!


Vinícius de Moraes

Cuba libre, Señor?


"É verdade que em Cuba todo mundo sabe ler e escrever. O que ninguém sabe é que só se pode ler o que Fidel quer. Dezenas de escritores estão proibidos em Cuba. É uma crueldade infinita ensinar a ler e depois proibir os livros."



Raul Rivero, poeta cubano exilado na Espanha depois de dois anos preso em Cuba pelo crime de ter uma opinião contrária à do Presidente Fidel. Em entrevista concedida à revista Veja de 27 de junho de 2005

Perguntar não ofende!!!


Se a experiência comunista não deu certo em lugar algum, porque ainda tem gente que teima em ser marxista?


Anônimo disse...

Sagaz,
A experiência comunista/socialista ainda não deu certo porque pessoas como vc ainda teimam em não debater o assunto, talvez por medo ideológico ou por ser adépto do imperialismo praticado pela égide da bandeira tricolor americana.
Pense bem, raciocine um pouco.
Abraços.

Fevereiro 05, 2008 9:11 AM

Excluir
Anônimo Anônimo disse...

Sagaz,
Não esqueça de perfumar também o local onde vc irá raciocinar.
Deve ser muito fedorento, como fedorenta deve ser a sua personalidade neo-capitalista.

Fevereiro 05, 2008 9:13 AM

Como se percebe pelos gentis comentários acima, a pergunta ofende, e muito.
Para o primeiro anônimo, respondo:
Querido, já não tenho mais saco para debater novamente tais questões. Durante anos as estudei e debati. Primeiro, como membro atuante do partido comunista do Brasil, segundo, nos meus tempos de estudante das ciencias sociais, que no Brasil é sinônimo de ensino de marxismos. Portanto, do assunto, sinto-me bastante abalizado. Já refleti sobre ele mil vezes e tenho a minha opinião formada, ou melhor, reformada, pois já acreditei nessa baboseira.
Deus te ilumine!!!!
Resposta para o segundo anônimo:
Filhinho, sua mamãe não o ensinou a respeitar os mais velhos? Olha que ela acaba cortando a sua mesada, viu?

segunda-feira, maio 07, 2007

Sorte do orkut-- Sorte?

Sorte de hoje:
A vontade das pessoas é a melhor das leis
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Que sorte de hoje mais irresponsável. Quer dizer que se uma pessoa tiver vontade de fazer mal a outra, pode fazer porque sua vontade é a maior das leis?
O orkut tem um filósofo formado por correspondência, ou, muito pior, discípulo de antônio gramsci.

sábado, abril 28, 2007

Janer Cristaldo


Quinta-feira, Abril 26, 2007

MENTIRA COMPLETA 70 ANOS



Leio na Folha on line:

A população de Guernica, na Espanha, relembrou nesta quinta-feira, 26, o 70º aniversário dos bombardeios que destruíram a cidade durante a Guerra Civil espanhola (1936-39) com a nomeação de capital mundial da paz. O massacre, ocorrido em 1937, foi a inspiração de uma das obras primas do pintor Pablo Picasso, batizada com o nome da cidade.

Que a cidade de Guernica relembre os setenta anos do bombardeio, entende-se. O que não se entende é que o redator acrescente a informação de que o bombardeio inspirou "uma das obras primas do pintor Pablo Picasso". Esta mentira, criada por Picasso, se repete há décadas. Como a mentira se repete, vou também repetir-me.

Ora, os fatos são bem outros. Picasso havia pintado uma tela de oito metros de largura por três e meio de altura, intitulada La Muerte del Torero Joselito, plena de cores fúnebres, que iam do preto ao branco, em homenagem a um amigo seu, o toureiro Joselito, morto em uma lídia. O quadro ficara esquecido em algum canto de seu ateliê. Ao receber uma encomenda para o pavilhão republicano da Exposição Universal de Paris de 1937, Picasso lembrou do quadro. Foi quando, para fortuna do malaguenho, a cidade de Guernica foi bombardeada pela aviação alemã. Ali estava o título e a glória, urbi et orbi.

Uns retoques daqui e dali, e Picasso deu nova função ao quadro. No entanto, até hoje multidões hipnotizadas pela propaganda vêem em uma cena de arena, com cavalo, touro e picador, uma homenagem aos mortos de Guernica. Busque o quadro na rede e examine-o. Você não vai encontrar um único elemento que lembre um bombardeio.

Esta lenda até hoje é repetida, tanto por professores e jornalistas como por escritores de renome. De um só golpe de pincel, o pintor malaguenho traiu a memória do amigo e mentiu para a História.

segunda-feira, abril 23, 2007

Perguntar não ofende, não é mesmo?



1. Por que o presidente do povo usa terno Armani?



2. Por que o presidente do povo pode ter ensino fundamental

incompleto e um gari necessita de ensino fundamental completo?



3. Por que o presidente do povo acumula aposentadoria por

invalidez; aposentadoria de dep. federal, pensão vitalicia

de "perseguido político", salário de presidente de honra do PT e

salário de presidente da república?



4. Por que o presidente do povo é 'perseguido político' sendo que

passou apenas UMA noite no DOPS?



5. Por que o presidente do povo comprou um avião da concorrente da

Embraer?



6. Por que o presidente do povo se aposentou por invalidez apenas

por ter um dedo a menos e hoje trabalha como presidente do Brasil?



7. Por que o presidente do povo protege seus amigos comprovadamente

corruptos e nunca acontece nada com ele?



8. Por que o presidente do povo se vangloria de não ter estudo e

ser filho de mãe analfabeta e acha normal ter filhos estudando fora

do Brasil?



9. Por que o presidente do povo quando do seu mandato de Dep.

Federal, não participou da vida parlamentar do Congresso?



10. Por que o partido do presidente do povo tem ligações com as

FARC e ninguém comenta isto?



11. Por que a mulher do presidente do povo não faz absolutamente

nada?



12. Por que o presidente do povo não sofreu impeachment como o

Collor sofreu?



13. Por que a candidata Heloísa Helena foi expulsa do PT e o José

Dirceu (dep. cassado) e Antonio Palocci (indiciado por quebra

ilegal de sigilo bancário e outros crimes) não o foram?



14. Por que o presidente do povo nunca soube das coisas ruins do

partido e do governo dele, MAS SABE DE TUDO SOBRE OS GOVERNOS

ANTERIORES???


Perguntas de autoria de Alexandre, extraídas da comunidade do orkut, CONSERVADORISMO.

domingo, abril 15, 2007


A vigarice acadêmica em ação

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio (editorial) , 10 de abril de 2007


A declaração escandalosa da ministra Matilde Ribeiro, incentivando abertamente a hostilidade dos negros aos brancos, não é um produto original da sua cabecinha oca. É o eco passivo de uma longa e ativíssima tradição cultural. Desde que Stalin ordenou que o movimento comunista explorasse todos os possíveis conflitos de raça e lhes desse o sentido de luta de classes, ninguém obedeceu talvez a essa instrução com mais presteza, fidelidade e constância do que os “cientistas sociais” brasileiros.

Praticamente toda a nossa produção universitária nesse domínio consiste num longo e barulhento esforço para instigar nos negros e mulatos o ódio retroativo não só aos senhores de escravos e aos descendentes de senhores de escravos, mas aos brancos em geral, inclusive os que lutaram pela libertação dos escravos, os que se casaram com pessoas negras, os que nunca disseram uma palavra contra a raça negra nem lhe fizeram mal algum. Todos esses, segundo a doutrina do nosso establishment acadêmico, são racistas inconscientes, virtualmente tão perigosos quanto Joseph Goebbels ou a Ku-Klux-Klan. Até os negros são um pouco racistas contra si próprios. Inocentes do crime de racismo, só mesmo os distintos autores desses estudos e os militantes das organizações inspiradas neles. Ou seja: ou você é um dos acusadores, ou é um dos culpados. Tertium non datur .

Um fluxo incessante de teses de mestrado e doutorado, fartamente subsidiadas pelo governo e por fundações internacionais bilionárias, jorra das nossas universidades para dar credibilidade a essa doutrina adorável. Os oito preceitos metodológicos que a fundamentam são os seguintes:

1. Atribuir à discriminação racial a diferença de padrão econômico entre negros e brancos, omitindo o fato de que entre a abolição da escravatura e o início da industrialização nacional transcorreram mais de quarenta anos durante os quais a população negra libertada se reproduziu incomparavelmente mais que o número de empregos disponíveis.

2. Mostrar os negros como vítimas predominantes de crimes violentos, sem perguntar se não são também predominantemente os autores desses crimes. Todo assassino, branco ou negro, é assim considerado a priori um instrumento da violência branca contra os negros.

3. Do mesmo modo, explicar toda violência policial contra negros como efeito do racismo branco, sem perguntar se os policiais que a cometeram eram negros ou brancos.

4. Mostrar os europeus sempre como escravizadores e os negros como escravizados, omitindo sistematicamente o fato de que as tropas muçulmanas, repletas de negros, invadiram a Europa e aí escravizaram milhões de brancos desde oito séculos antes da chegada dos europeus à África.

5. Explicar portanto a escravidão interna na África como mero efeito da escravidão européia, invertendo a ordem do tempo histórico.

6. Transformar cada raça em pessoa jurídica, titular de direitos, quando negra, e de responsabilidade penal, quando branca.

7. Dar por implícito que todo branco é culpado pelos atos dos senhores de escravos, mesmo quando não tenha um só deles entre os seus antepassados e mesmo que tenha chegado ao Brasil, como imigrante, décadas depois do fim da escravidão.

8. Lançar a culpa de tudo na “civilização judaico-cristã”, justamente a única que, ao longo de toda a história humana, fez alguma coisa em favor das raças escravizadas.

A palavra “viés” é delicada e sutil demais para qualificar a atitude mental que gera esses estudos. A sociologia das raças que se produz nas nossas universidades é puro material de propaganda, deliberadamente mentiroso e calculado para legitimar a violência revolucionária contra aquilo que o ex-governador Cláudio Lembo chamou de “elite branca cruel e egoísta”. Ciência social, no Brasil, é crime organizado.