sexta-feira, abril 14, 2006

Procedimentos necessários após baixar o arquivo de música


Amadas, o arquivo de música The Strokes - First impressions of earth, está compactado. Portanto, faz-se necessário que ápós baixá-lo, seja descompactado. Para tanto, use um programa chamado WINWAR. Esse programa é leve e é encontrado no site: www.superdownloads.com.br. Procure o programa WINWAR na busca desse site e baixe. E boa diversão.
A próxima postagem de música será do álbum "AMIGOS" (1976), do grande guitarrista mexicano, CARLOS SANTANA.
Aguardem!!!

http://rapidshare.de/files/17984962/The_Strokes_-_First_Impressions_of_Earth_-_2006.rar.html

Amadas, conforme o prometido, aí está o link para baixar o cd FIRST IMPRESSIONS OF EARTH, da banda THE STROKES (2006). Para baixá-lo, basta clicar no título da postagem e seguir as instruções abaixo.
Divirtam-se!!!!




Passo a Passo para fazer Download de MP3 no Rapid Share

1. Clique no link do álbum;
2. Vá até o final da página, clique no botão Free;
3. Na tela que vai aparecer, vá até o final dela e vai aparecer: Download -Ticket Reserved. Please Wait 70 Seconds;
4. Espere até que os 70s acabem, no local do escrito acima irá aparecer: Download - Link;
5. Clique no link com o botão direito do mouse, selecione salvar destino como (Save Target As), escolha uma pasta e aperte Salvar (Save);
6. Se aparecer a mensagem: "Too many users downloading right now. Please try again later or get a PREMIUM-Account", depois que você ter clicado no botão Free, tente novamente.

terça-feira, março 21, 2006

Vinicius de Moraes

O Desespero da Piedade

Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.

Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina

Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.

Tende imensa piedade dos músicos de cafés e de casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam o silêncio
E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.

Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.

Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Quem em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão...

Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão mas são humildes nas suas carícias
Mas tende maior piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!

Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Que lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.

Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tente mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.

Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.

E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tenha piedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!

Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta — que o homem não presta, não presta, meu Deus!

Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Os olhos perdidos e o seio na mão.

Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.

Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.

Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.

Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.

Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçadas
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.

Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto alegria e serenidade.

Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.

Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.

Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.

Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

De um perfil no orkut


Visão política: Libertário ao extremo

Animais de estimação:
Prefiro que fiquem no zoológico

Alguém aí quer comentar?

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Olavo de Carvalho


Notícias da China real

Durante o ano passado, 87.000 protestos e rebeliões eclodiram na China. Nenhum foi noticiado pela mídia nacional. Em compensação, qualquer passeata anti-Bush em Nova York ou na Califórnia é alardeada como sinal de queda iminente do “império americano”.

Numa pesquisa realizada pelo Programa de Atitudes em Política Internacional da Universidade de Maryland, abrangendo 20.791 pessoas em vinte países (v. http://www.complusalliance.org /plugins/ComPlusDoc/details .asp?type=DocDet&ObjectId =MTc4NTg ), 74 por cento dos cidadãos chineses (três por cento a mais até do que os americanos!) julgaram que o livre mercado é o melhor sistema econômico para o mundo. Nem uma linha a respeito saiu no Brasil.

Se na formação de suas opiniões pessoais ou na tomada de decisões políticas e empresariais você se deixa guiar pela imagem do mundo que aparece nos nossos jornais, você está completamente fora da realidade.


Retirado do site de Olavo de Carvalho: www.olavodecarvalho.org

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Alma não tem cor

Alma Não Tem Cor
André Abujamra

Alma não tem cor
Porque eu sou branco?
Alma não tem cor
Porque eu sou negro?

Branquinho
Neguinho
Branco negão
Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida
Ela é multicolor

Azul amarelo
Verde verdinho marrom

sábado, janeiro 28, 2006

Cristaldo


O texto abaixo foi retirado por mim do blog do grande Janer Cristaldo. Fala de um assunto muito em voga atualmente. Para saber mais, leia. Para saber bem mais, vá ao blog do Cristaldo:
www.cristaldo.blogspot.com

Janer Cristaldo

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

A EXTINÇÃO DO MULATO


Movimentos ecologistas estão preocupados com a extinção de baleias, ursos polares, micos-leões-dourados e outras espécies. Pessoalmente, estou preocupado com outra espécie bem mais próxima e mais valiosa, os mulatos e as mulatas. Que, dependendo da inépcia de nossos legisladores, em breve será extinta. Pelo menos do ponto de vista legal. É o que propõe um monstrengo jurídico, de autoria do senador Paulo Paim, o projeto de lei n° 3.198/2000, também chamado de Estatuto da Igualdade Racial. Já foi aprovado pelo Senado e tramita em regime de prioridade na Câmara dos Deputados. De uma só tacada, Paulo Paim extermina legalmente os mulatos do território pátrio: "para efeito deste Estatuto, consideram-se afro-brasileiros as pessoas que se classificam como tais e/ou como negros, pretos, pardos ou definição análoga".

Demorou mas chegou até nós. Está sendo introduzida legalmente no Brasil a classificação ianque, que só consegue ver pretos e brancos em sua sociedade e nega a miscigenização. Este sórdido projeto é antigo, fruto da exportação dos conflitos raciais dos Estados Unidos para um país onde o negro sempre conviveu bem com o branco, tanto que o mulato constitui um contingente considerável da população. Mal foi eleito, o Supremo Apedeuta saiu arrotando urbi et orbi que o Brasil era a segunda nação negra do mundo, depois da Nigéria. Até mesmo uma pessoa aparentemente culta, como Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, prestou-se a corroborar o sofisma safado: "como declarou o presidente Lula, o estreitamento das relações com a África constitui para o Brasil uma obrigação política, moral e histórica. Com 76 milhões de afrodescendentes, somos a segunda maior nação negra do mundo, atrás da Nigéria, e o governo está empenhado em refletir essa circunstância". Ao colocar todos afrodescendentes no mesmo saco dos negros, o ministro demonstra que, nos círculos do poder, mesmo homens cultos se dobram à bajulação.

Ora, segundo o IBGE, a população negra do Brasil, em 99, era de apenas 5,4%. Com o acréscimo de 39,9% do contingente de mulatos, o Brasil estaria perto de ser definido como um país majoritariamente negro, como aliás é hoje considerado por muitos americanos e europeus. Com o projeto do senador, não teremos mais mulatos (ou pardos, no jargão do IBGE), mas apenas afro-brasileiros. O que os ativistas negros esquecem é que o mulato pode denominar-se tanto afro-brasileiro como euro-brasileiro. A tônica no afro tem intenções óbvias: aumentada artificialmente a população negra, torna-se fácil pressionar os legisladores para obter mais vantagens para os que não são brancos. Os ativistas negros no Congresso querem ganhar privilégios no tapetão da semântica.

Sensível ao apelo dos votos, Geraldo Alckmin está encaminhando à Assembléia Legislativa projeto de lei que estabelece o acréscimo de pontuação aos afrodescendentes no concurso público para a Defensoria do Estado. Após os Estados Unidos estarem abandonando a política das ações afirmativas, o governador paulista, em um gesto de mimetismo terceiro-mundista tardio, afirma: "Estamos fortalecendo nossa proposta de ações afirmativas". É um modo de dizer. O que Alckmin parece ignorar é o artigo 5° da Constituição, que reza: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza". Alckmin é hoje visto como uma alternativa à permanência do Supremo Apedeuta no poder. Triste alternativa, a de um político que, em sua ambição de votos, começa sua campanha rasgando de uma penada a Constituição brasileira. Se já rasga a Carta Magna enquanto candidato a candidato, podemos imaginar o que ousaria quando no poder.

Nas últimas décadas, os movimentos negros insistiram na idéia de que raça não existe, ser negro seria apenas uma questão de melanina. Quando começou a surgir no Brasil a infeliz idéia ianque de cotas, tanto para a universidade como para admissão em empregos públicos, assistimos a uma súbita reviravolta: raça agora existe e deve ser declarada. O malsinado projeto do senador gaúcho determina que, em várias circunstâncias - no Sistema Único de Saúde, nos sistemas de informação da Seguridade Social, em todos os registros administrativos direcionados aos empregadores e aos trabalhadores do setor privado e do setor público - o quesito raça/cor será obrigatoriamente introduzido e coletado, de acordo com a autoclassificação.

Se até bem pouco afirmar a existência de raças era sinônimo de racismo, a noção de raça agora passou a ser algo bom, digno e justo. Para a advogada Flávia Lima, coordenadora do Programa de Justiça da ONG Núcleo de Estudos Negros, em Florianópolis (SC), a classificação dos indivíduos segundo a raça pode ser um instrumento na luta contra o racismo. A obrigatoriedade de registro da cor seria um ponto positivo do Estatuto, já que permite investigações sobre racismo em diversas esferas da sociedade.

Ó tempora, ó mores!O que ontem era estigma, o registro da cor, passa hoje a ser virtude. Os movimentos negros, ao que tudo indica, terão de jogar ao lixo suas velhas bandeiras. Para o Supremo Apedeuta, por exemplo, até os nigerianos já são afrodescendentes.

Como observa Demétrio Magnoli, na Folha de São Paulo, "os modelos são a África do Sul do apartheid e a Ruanda dos belgas, com suas carteiras de identidade etno-raciais. A nação deixará de ser um contrato entre indivíduos para se tornar uma confederação de raças". Se aprovado na Câmara este projeto infame, os negros e mulatos terão carteirinha única, e esta jamais será a de mulato. Imagine o leitor se um deputado branco sugerisse a instituição da carteirinha de negro. Seria imediatamente comparado a Hitler, que identificou os judeus com a tecnologia Hollerith de cartões perfurados da IBM.

Como os deputados hoje estão mais preocupados em salvar a própria pele do que em discutir quesitos de raça ou cor, corremos o sério risco de que o absurdo estatuto adquira força de lei. Os políticos sentem-se tão à vontade para praticar este estupro, que já o incluem em suas promessas de campanha, como o fez Alckmin. Se a Constituição já foi violada mediante compra de votos, violação a mais violação a menos tanto faz. E assim desaparecerá, banida por lei, a prova mais incontestável do caldeamento de raças no Brasil, o mulato.

Os velhos comunistas podem ter perdido a guerra, mas não perderam os vícios. Luta de classes morta, luta racial posta.

- Enviado por Janer @ 11:32 AM

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Estatuto do Homem


Artigo I - Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.


Artigo II - Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


Artigo III - Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV - Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único: O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V - Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo, porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.


Artigo VI - Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII - Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII - Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá a planta o milagre da flor.


Artigo IX - Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.


Artigo X - Fica permitido a qualquer pessoa, a qualquer hora da vida, o uso do traje branco.

Artigo XI - Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.


Artigo XII - Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.


Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.


Artigo XIII - Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.


Artigo Final. Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.



Thiago de Mello

sexta-feira, janeiro 13, 2006

"No amor somos todos fantoches:Não escolhemos nem certo, nem errado, porque simplesmente não escolhemos.
No amor basta amar!
Afinal, não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo".
Nelson Rodrigues

terça-feira, janeiro 10, 2006

Crônica pré e pós carnaval

Amadas, a crônica abaixo, escrita pelo genial Nelson Rodrigues após o carnaval de 1968, é um dos seus momentos visionários. Aconselho-as a Lê-la antes e depois do carnaval. Depois me digam o sentimento que ela suscita. Percebam como o Nelson está certo (mais uma vez)na sua feliz e inteligente visão do óbvio.
Como ele mesmo diria: "Só os profetas enxergam o óbvio!".

A Viuvez de sarong


Disse não sei quem que o desejo é triste. Triste de acordo, se for verdadeiro. Porque o falso desejo, o desejo apenas representado, é alegríssimo e salubérrimo. Eis o que eu queria dizer: - o carnaval que passou foi um espetáculo inédito na Terra. O turista que aqui veio teve uma sensação de erotismo unânime e colossal.
Os gregos antigos achavam que o estrangeiro é divino. E divino porque não traz nome, nem passado, nem história, nem lenda. Tudo o que diz, ou faz, tem um toque de mistério e de sagrado. Assim pensavam os gregos. Mas eu diria que o turista de carnaval não é divino, mas obtuso. Passou aqui os quatro dias e viu tudo errado.
"Errado, como?" - perguntará o leitor. Explico: - viu um erotismo que absolutamente não houve. Nunca se desejou tão pouco e repito: - nunca a mulher foi tão secundária para o homem, nunca o homem foi tão secundário para a mulher. Alguém poderá argumentar com os nus da televisão. E, de fato, o que se viu foi uma nudez indiscriminada, sim, uma nudez multiplicada, obsessiva e feroz.
Usou-se um sarong que realmente só era sarong na cor. Em verdade, em verdade, o sarong era uma nesga de pano, vaga folha de parreira, sei lá. A TV é que olhava tudo com a pupila violenta dos faunos. Lembro-me de um ventre num baile. Durante horas o câmara parou nessa obsessão abdominal. E o espectador só via aquele umbigo, sempre o mesmo. Minto. Via também a cicatriz de uma apendicite recente. Nada de caras, ou de gestos. Só o umbigo e só a cicatriz.
Na praia ou, pior, num campo de nudismo, há uma distância, uma distância que permite o mínimo de idealização da nudez. O olho não está tão próximo que possa descobrir uma pequena cicatriz. Ao passo que a TV elimina qualquer distância. Sua lente aproxima e amplia o umbigo e a cicatriz. Em todos os bailes, a função da imagem foi essa berrante ampliação.
No vídeo, o cavo umbigo era um súbito e feio abismo. E a penungem leve, que o olho não percebe, que o próprio tato não sente, vira uma flora liliputiana, mas visível. Os poros estão lá. Em casa, o telespectador vê, de repente, aquele umbigo invadir sua intimidade. Não são milhares, e eu quase dizia, milhões de umbigos. É um único, sempre e fatalmente o mesmo. E a mesma cicatriz da mesma apendicite.
Mas porque essa fixação cruel e cínica? Ao mesmo tempo em que era imposta a paisagem abdominal, vinha o locutor e falava em "festa sadia". Sadia, como? Sadia, o quê? E todas as estações, todas, insistiam em chamar tudo de "sadio". Uma cidade inteira se despia para milhões de telespctadores. Isso era profundamente "sadio". Uma câmara fixava um único e exclusivo umbigo. Muito saudável. E a cicatriz enfiada na cara do telespectador? Saudabilíssima.
O pobre turista, com a sua obtusidade de turista, via em cada rapaz um fauno de gaita e em cada mocinha uma ninfa de tapete. Mas dizia eu que o desejo não tem nada a ver com alegria e nada a ver com multidão. O desejo é triste e exije o pudor, o segredo, o mistério, a exclusividade do casal (desculpem estar aqui proclamando o óbvio). Aí está dito tudo: - o casal.
Acabamos de ver uma festa coletiva, em que o casal não teve função, nem destino. E os pares que se beijavam para milhões de telespectadores eram falsos casais, fingindo um desejo, representando um amor. Conheço um rapaz que conheceu e amou uma pequena. Imediatamente, os dois construiram uma solidão desesperadora. Ninguém vê o rapaz, ninguém vê a pequena. Eles andam por não sei que catacumbas, não sei que terrenos baldios. Deus me livre que fossem os dois para o baile do Municipal, que é, justamente, o túmulo ululante do amor e, até, do simples e animal desejo. Sempre que um homem e uma mulher se gostam precisam estar prodigiosamente sós, como se fossem o primeiro, único e último casal da Terra.
Nunca houve um carnaval tão triste, porque nunca houve um carnaval tão nu. Dirá alguém que minha obsessão pela nudez é fixação infantil. Não sei se infantil, mas é uma fixação. Os jornais e os locutores vão falar de "alegria, alegria". Realmente, não houve tal. Nada mais triste do que a nudez sem amor. Mas o nu é sempre tão belo, dirão alguns. Nem isso. É feio, e repito: - sem amor, é feíssimo.
Ontem, pela manhã, saio de casa perto do meio-dia. Em baixo, na porta, encontro um amigo. Já no cumprimento sinto a sua amargura. Seu lábio tem o ricto cruel de certas máscaras cesarianas. Diz o "bom-dia" e logo geme: - "Como é feio um umbigo! Você não acha um umbigo um negócio feio pra burro?". Pedia, pelo amor de Deus, a minha soliedariedade estética. Sim, quarta-feira a cidade acordou com o tédio cruel, uma ressaca insuportável de umbigos femininos. Estamos todos ressentidos contra eles.
E deprime ver a soma de esforços e de conivências que uma simpes nudez exige. Uma garota faz, ou compra, um sarong equivalente à folha de parreira. Mas ela não faria isso sozinha. O uso do sarong seria impossível sem o apoio do pai, da mãe, dos irmãos, do marido, do namorado, dos vizinhos, das autoridades, da imprensa, rádio e televisão. Todos aceitam e estimulam porque todos, inclusive as autoridades, querem ser "pra frente". Vi, no Municipal, a viúva de um aviador que se espatifou contra a montanha. Pôs ela um sarong na sua viuvez e foi sambar. Quero crer que o falecido também autorizou.
Vejam quantas instituições se juntaram para promover um símples umbigo. E, então, a mocinha vai para o Municipal. Será vista por dez mil pessoas no baile. Vamos somar as dez mil pessoas e mais cinco milhões de telespectadores da cidade e Estados. Portanto, cinco milhões e dez mil vão ter o que devia ser exclusividade do bem-amado. E como a televisão amplia mais do que o olho do ser amado, este não verá o que cinco milhões viram com a mais deslavada nitidez.
E perguntará o leitor: - "quer dizer que somos todos cínicos?" Exatamente: - cínicos. Não me venham falar em alegria. Na quarta-feira de cinzas o brasileiro acordou com este sentimento inexorável: - como é feia, triste, humilhada, ofendida, a nudez sem amor.


[29/2/1968]

NELSON RODRIGUES

sábado, dezembro 17, 2005

Jornal de poesia <<<<< clique aqui



Site dedicado à poesia. Esse endereço tem servido de fonte segura onde posso buscar os poemas que envio para as minhas amadas.
Gostaria de compartilhá-lo com todas as minhas belas e benfazejas companheiras.

Que cosa, Che!!!<<< clique aqui




“Fuzilamentos, sim, temos fuzilado, fuzilamos e continuaremos fuzilando enquanto seja necessário. Nossa luta é uma luta de morte”.

(Che Guevara, na Assembléia Geral da ONU em 11 de dezembro de 1964).

Quem foi Che Guevara? Quem pode responder? Muitos, principalmente os mais jovens, o admiram, usam-no em estampas de camisas, bonés, consideram-no como um herói, um resistente. Mas, pergunto: Herói de quê? Responda-me quem souber.


Para saber mais cositas sobre o "grande" Che Guevara, basta clicar no título da postagem.

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“Dialeticamente, os comunistas dizem que mais vale enganar-se com o partido do que ter razão fora dele ou contra ele, pois o partido é a encarnação da verdade global, da razão histórica. Um erro do partido só pode ser parcial ou passageiro e o próprio curso da história o corrigiria. Uma verdade contra o partido também só pode ser parcial e passageira, todavia, estéril e nefasta, pois ameaça obscurecer, obliterar a verdade global da sua razão histórica”

(“Um Belo Domingo”, Jorge Semprun, editora Nova Fronteira, 1980)

Clique no título da postagem e leia interessante artigo sobre campos de concentração soviéticos

Tirinhas do Lor postadas em homenagem às nossas esquerdas!!!


segunda-feira, dezembro 12, 2005

Nelson Rodrigues

"Socialista,comunista,trotskista,tudo dá no mesmo, só o canalha precisa de ideologia que o justifique e absorva."

Nelson Rodrigues

domingo, dezembro 11, 2005

Vi Mercado Cultural

O que posso dizer do Vi Mercado Cultural? Que é maravilhoso!!! Nenhuma outra palavra me occore para qualificá-lo.
Mas, deixemos o mercado agora, para falar do público.
Ontem, sábado, 10 de dezembro de 2005, fui ver o maravilhoso show da banda argentina Puerto Celeste e da grande Orquestra Família do também grande Itiberê Zwarg.
Deleite em quase todos os momentos. Disse em quase todos os momentos. Sim, em quase todos. Teve um momento não deleitoso, desagradável mesmo, quando, sentado numa poltrona do Teatro Castro Alves, tendo como vizinhas duas peruas, dessas peruas novas, de 20 a 25 anos (essa categoria é nova, a cada dia algumas meninas novas se fantasiam de peruas, cheias de coláres e roupas que as envelhecem o corpo, fazendo com que este acompanhe a idade do espírito), que conversaram uns maus 20 minutos do primeiro show. Uma tortura assistir um show de uma banda como o Puerto Celeste com duas pobres de espírito a conversar sobre: "porque não fiquei com fulaninho ou beltraninho é o que há". Ocorreu-me a idéia de perguntar-lhes se elas não teriam errado de show, se não deveriam estar em outro lugar para melhor poderem conversar as suas , delas , futilidades. Mas, o pudor de atrapalhar a outras pessoas, que já estavam sendo impedidas de ouvir o show, me impediu.
A razão de estar escrevendo isso aqui é a de que me irrita profundamente a falta de respeito com o vizinho que as belezocas proporcionaram.Aplaudi bastante à atração da noite, mas teve um momento que quase caio na tentação de aplaudir com o mesmo ímpeto: o momento em que as periguetes, se perceberam que não iriam tocar nenhuma música de Xatiéla Merdury e se mandaram. Ah!! Foi lindo!!!

As aparências enganam!!!!

Amadas, não creiam em tudo o que as pessoas escrevem sobre sí no orkut. Não creiam em perfís arrojados, aventureiros, pós-modernosos. Não creiam em todos eles. Dê-se a licença de crer em alguns, os mais descompromissados, talvez. Mas, não em todos.
Outro dia, mais precisamente ontem, sábado, 10 de dezembro de 2005, estava eu a passear pela área do Teatro Castro e vejo uma bela e gentil moça sentada num banco, bela e agradável visão a iluminar um fim de tarde do VI Mercado Cultural. Não resisto e ponho-me a conversar com tão agradável moça. Muito gentil, ela me responde e revela, em tua voz, uma suavidade e sensibilidade que já tinha eu percebido ao olhá-la. Trocamos algumas palavras e sigo o meu caminho. Até então, nada demais. Ocorre que adiante vem-me um clarão na memória e lembro-me de já conhecê-la de algum lugar. De onde, meu Deus? Pergunto ao Todo Poderoso. E a resposta vem: conheço-a do orkut. Ó cèus!!! É uma das minhas mais diletas amadas. Grave isso!!! Como não a reconheci logo ao vê-la? E mais grave: Dela tinha eu uma impressão diferente. Sempre achei, pelo que li da sua, dela, auto descrição, que era uma mulher das que nos fazem temê-las por serem perigosas ( não no sentido mal desta palavra, mas num sentido de fatalidade, de consumição de energias devido à um espírito voluptuoso e em chamas). Mas o que vejo é o contrário: uma menina doce, amável, uma menina dessas que se quer ter como amiga, como irmã ou como amada. Totalmente diversa da menina que o seu perfil orkútico sugere. Por isso , amadas, não mais creiam em perfís de orkut. Não, eles não estão corretos. Existem pessoas que, de tanta modéstia, não falam o melhor de sí. Escondem a própria doçura, falsificam o próprio encanto. Este é o caso de Stefânia (vamos chamá-la assim). Uma menina que imediatamente após reconhecê-la, veio-me o ímpeto, não realizado, de voltar atrás e pedir-lhe uma abraço e suplicar-lhe amizade.